Cela de Eike Batista em Bangu tem 15m², 3 beliches e água fria

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30 janeiro 2017 21h17

Penitenciária Bandeira Stampa tem ex-policiais e milicianos. Presídio não está lotado.

Por G1 Rio

 

O empresário Eike Batista, que se apresentou nesta manhã de segunda-feira (30) à Justiça brasileira, ficará preso em uma cela da Penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. A cela tem 15 metros quadrados com quatro beliches. A água é fria. As informações são do RJTV.

O cenário é bem diferente da mansão no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, onde a Polícia Federal buscou o empresário semana passada – na ocasião, ele já tinha viajado para Nova York. Segundo reportagem da revista Época, o imóvel tem 3,5 mil metros quadrados.

De acordo com a reportagem, agentes penitenciários, que pediram para não ser identificados, contaram que Eike está numa cela da galeria A, um setor da penitenciária onde costumam ficar suspeitos de envolvimento com milícias. O empresário divide a cela com seis outros presos sem curso superior dos processos da Lava-Jato, no Rio.

Na cela de 15 metros quadrados há um buraco no chão chamado de “boi” que serve como vaso sanitário. O chuveiro é um cano de água fria para o banho. O preso pode levar uma televisão e ventilador por conta própria. Eike Batista fará quatro refeições diárias.

O empresário jantou às 17h, mas o cardápio não foi revelado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

O presídio não está lotado, segundo informações do RJTV. São 541 vagas e, atualmente, há 422 presos. Das 26 vagas para trabalho interno, só uma está disponível.

A unidade tem enfermaria, escola, biblioteca e consultório dentário. Os presos podem receber visitas cinco dias por semana. No mês passado, 12 telefones celulares foram apreendidos durante a vistoria.

Volta ao Brasil

O empresário Eike Batista se apresentou nesta manhã de segunda-feira (30). Eike estava em Nova York e embarcou ainda na noite de domingo para o Brasil. Antes do embarque, ele disse em entrevista ao repórter Felipe Santana e ao cinegrafista Sherman Costa, da TV Globo, que “está à disposição da Justiça”.

“Acho que o que o Ministério Público está passando o Brasil a limpo de uma maneira fantástica. Eu digo que o Brasil que está nascendo agora vai ser diferente. Porque vai pedir suas licenças, vai passar pelos procedimentos normais, transparentes e se você for melhor vai ganhar e acabou a história”, declarou. “Estou à disposição da Justiça. Como Brasileiro, estou cumprindo o meu dever. Estou voltando. Essa é minha obrigação (…) Como estou nessa fase me entregando à Justiça, é melhor não falar nada.”

No aeroporto, algumas pessoas pedir para tirar fotos com o empresário. Questionado sobre essas atitudes, ele respondeu: “Carinho [de pessoas] que enxergam que eu devo ter feita muita coisa boa no Brasil, né?”, diz.

Em seguida, um homem que passa por trás e provoca: “Vai tomar Catuaba Selvagem [bebida barada à base de vinho] lá com o teu colega Cabral [Sérgio, ex-governador do Rio]?”.

Eike olha, retorno para a entrevista e diz: “Paciência, é assim, né?”.

Em seguida, fala sobre a Operação Lava Jato. “Olha, é aquele negócio, se forem cometidos erros, você tem que pagar pelos erros que você fez”, diz, antes de responder se considera que errou. “Eu acho que não.”

Eike chegou sozinho ao aeroporto JFK, nos EUA, por volta de 21h50 (horário de Brasília), fez check-in e, minutos depois, passou pelo controle de passaporte. O voo da American Airlines, de número 973, deixou os EUA à 0h45 (horário de Brasília) e chegou pouco antes das 10h desta segunda-feira (30) no Rio.

Eike Batista é acusado, pelo Ministério Público Federal, de corrupção ativa. Segundo os procuradores , em 2011, o empresário pagou R$ 16 milhões e meio de dólares a Sérgio Cabral, o equivalente a 52 milhões de reais.

Na sexta-feira (27), o Jornal Nacional mostrou imagens da saída de Eike do país. Nelas, aparece de calça jeans e paletó preto chegando para embarcar no aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Como Eike tem passaporte alemão e o país europeu não tem acordo de extradição com o Brasil, havia a preocupação de que o empresário fugisse da Justiça brasileira.

Os investigadores afirmam que o pagamento feito a Cabral por Eike se deu pela “boa vontade” do então governador do Rio com os negócios do empresário. Mas ainda não sabem, ao certo, que vantagens o empresário recebeu em troca dos milhões.

Depoimento nesta terça na Polícia Federal

O empresário deixará o presídio de Bangu 9 no início da tarde desta terça (31). Eike Batista prestará depoimento na sede da Polícia Federal, no Centro do Rio. Ele será ouvido pelo delegado Tácio Muzzi, responsável pelas investigações, e pelos procuradores da República da Força-tarefa da Lava-Jato no Estado do Rio.

Os advogados de Eike Batista entraram com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF). O pedido ainda não foi analisado.

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