Confira detalhes da cela preparada pela PF para Lula em Curitiba

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8 abril 2018 11h11

 

PM traça estratégia para minimizar confrontosFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em comparação com as condições degradantes dos presídios do país, a cela pode ser considerada um luxo. Edifício da PF foi inaugurado durante segundo mandato de Lula e tem placa comemorativa com o nome do ex-presidente

Por: AFP

A Polícia Federal em Curitiba preparou uma cela especial para receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá banheiro privativo e direito a duas horas diárias de banho de sol, informou a instituição. “É uma sala simples, é vazia, só tem uma cama, uma mesa com cadeira e o acesso a um banheiro, mais nada. É o mais simples possível, mas em separado dos demais” presos, explicou o delegado Igor Romário.

O espaço era usado para alojar policiais de outros estados, ou advogados que precisassem pernoitar, mas ao longo das últimas duas semanas foi adaptado para eventualmente acolher aquele que seria o preso mais famoso da Operação ‘Lava Jato’.

Em comparação com as condições degradantes dos presídios do país, a cela pode ser considerada um luxo. A sala é “bastante humanizada, bastante tranquila, um ambiente agradável para ficar, mas nada especial”, acrescentou Jorge Chastalo, chefe da equipe de custódia da Superintendência da PF.

Lula terá direito a uma visita semanal de parentes próximos e durante duas horas por dia poderá tomar “banho de sol”. A cela tem cerca de 15 m2 e ducha de água quente. Os policiais não souberam confirmar essa informação imediatamente.

Placa com nome de Lula
O edifício que alojará o ex-presidente, ao menos durante o início de seus dias atrás das grades, foi inaugurado durante o seu segundo mandato, em fevereiro de 2007. Uma placa comemorativa na entrada do local destaca seu nome, em letras douradas, junto ao de outras autoridades da época.

Pelas prisões de Curitiba, cidade apelidada de “Capital da Lava Jato”, passou a maioria dos “peixes grandes” que caíram na rede de Moro, como o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-ministro da Fazenda de Lula Antonio Palocci, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.

Placa da Superintendência da PF em CuritibaPlaca da Superintendência da PF em Curitiba – Crédito: Divulgação

 

Entenda o caso:
Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia foram denunciados pelo Ministério Público Federal, por serem supostamente os verdadeiros donos de um triplex no Guarujá. De acordo com a denúncia, as reformas feitas no imóvel pela construtora OAS eram parte de pagamento de propina da empreiteira, que teria sido favorecida em contratos com a Petrobras. O imóvel teria sido reservado para o ex-presidente, mesmo sem ter havido transferência formal, o que configura tentativa de ocultar o patrimônio (ou lavagem de dinheiro). O valor dos recursos citados chegaria a R$ 2,2 milhões.

Triplex do Guarujá: Justiça diz que Lula e Marisa eram donos; defesa negaTriplex do Guarujá: Justiça diz que Lula e Marisa eram donos; defesa nega – Foto: Reprodução/PT

Em 12 de julho de 2017, o juiz de primeira instância Sérgio Moro,  da 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão. A defesa apelou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) – em Porto Alegre, segunda instância da Justiça – , mas Lula foi condenado novamente, no dia 24 de janeiro de 2018, e teve a pena aumentada para 12 anos e 1 mês de reclusão.

No dia 4 de abril, com o placar final de 6 a 5, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram o pedido de habeas corpussolicitado pela defesa de Lula na tentava de impedir a execução provisória da pena imposta a partir da confirmação de sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Os advogados do ex-presidente sempre negaram as acusações, sustentaram que o julgamento foi político e que houve cerceamento da defesa. No dia seguinte (5 de abril), o juiz Sérgio Moro recebeu um ofício do Tribunal Regional Federal da 4ª Região informando que já não havia obstáculos legais para o início do cumprimento da pena do petista e emitiu a ordem de prisão em seguida.

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