“Hoje, a cura não é mais um sonho, e sim, realidade!”, diz Claudia Rodrigues

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12 março 2017 18h51

Cláudia Rodrigues confia na cura. Créditos Fotos: Rogério Pallata

 

Depois do transplante de células-tronco, a atriz, que sofre de esclerose múltipla, tem fé na cura definitiva e anuncia seu retorno ao trabalho em grande estilo, na cidade de Nova York

Por Tainá Goulart / Revista Contigo

Os tombos foram muitos, mas Claudia Rodrigues, 46 anos, levantou de todos. E a lista é extensa: ela descobriu ser portadora de esclerose múltipla, aos 30 anos, depois perdeu seu programa na Globo, A Diarista, no qual fazia a empregada doméstica Marinete, e até tentou se matar. Mas o sorriso aberto da atriz sempre continuou, independente de qualquer adversidade. “Que benefícios eu teria se passasse a vida inteira reclamando? Nenhum! Quando soube do diagnóstico da esclerose, perguntei para o médico se poderia ser mãe e esse era o motivo do meu receio. Não senti medo de morrer, pois tinha o desejo de viver para continuar trabalhando e educar uma criança. Tive meus momentos de tristeza, principalmente quando fui demitida, mas nada absurdo. Entreguei o meu futuro nas mãos de Deus e falei: ‘Se Você quiser me levar, me leva agora. Se não, me deixa quieta aqui, por favor, que eu vou ficar melhor do que eu era”, diz a atriz, rindo. Os caminhos começaram a mudar depois do transplante de células-tronco, feito em 2015. Hoje, ela busca a cura definitiva ao lado da filha Iza, 14, e da empresária e assessora de imprensa, Adriane Bonato, 43, na clínica médica Cevisa, localizada na cidade de Engenheiro Coelho, cerca de duas horas de São Paulo. “É clichê dizer que humorista mantém o bom humor, mas é a mais pura verdade. Estou ótima e o transplante me salvou. Vim para a clínica buscar a cura e me preparar para lançar vários projetos, entre eles a minha biografia, meu canal no YouTube e a minha peça, que vai se chamar E Aí, Claudinha?. Farei tudo lá em Nova York, nos Estados Unidos, a convite de uma instituição.” A seguir, confira trechos da entrevista exclusiva que a CONTIGO! fez com a atriz.
Mudança na rotina “Aqui na clínica, a minha rotina é quase de um monge. Minha vida mudou muito e para melhor. Acordo cedo, por volta das seis da manhã, e faço 1 hora de caminhada na piscina, depois alongamento e várias terapias feitas com água, para estimular a minha musculatura. A alimentação é totalmente controlada, pois algumas substâncias tendem a ativar a doença, como o glúten e derivados de leite. Por isso, virei quase vegetariana, com consumo de peixes e ovos, e não coloco mais uma grama de açúcar no estômago. Já emagreci cerca de quatro quilos e troquei quase toda a gordura por massa magra no meu corpo.”
Os gastos mensais com a sua estadia e a da filha na clínica são de cerca 15 mil reais por mês. “Sem contar os remédios, que de 15 viraram 10 comprimidos. Parei de gastar três mil reais na semana e, agora, esse valor dá para 30 dias de medicamentos.”, conta Claudia
100% de volta à ativa “Medicinalmente falando, a esclerose múltipla não tem cura, mas existem casos de recuperação extrema com o transplante. Meu equilíbrio está muito melhor, antes não conseguia ficar em pé nem dez minutos e, agora, faço alongamento, sem apoio ou ajuda, durante uma hora. É um milagre! Acredito que meu progresso na escala da esclerose se deve ao tratamento na Cevisa. Ainda existem células-tronco ativas no meu cérebro e isso me dá muita esperança. Quero ficar aqui até voltar ao trabalho e, com certeza, estarei 100% até lá.”
Esperando julho chegar “Era para eu começar a trabalhar mesmo em agosto, mas, como a Iza escolheu festejar seu aniversário de 15 anos na Disney, escolhemos julho para o start de tudo. Vamos aproveitar as férias da escola, viajar para os Estados Unidos e começar a turnê da minha peça, E Aí, Claudinha?, além de lançar o meu canal no YouTube, no qual vou postar vários vídeos engraçados. A minha empresária está escrevendo minha biografia e nós fomos convidadas a lançar tudo em Nova York para a comunidade brasileira. Estou morrendo de vontade de voltar a trabalhar e, em julho, retornarei com tudo.”
Novos papeis “Na peça, farei quatro personagens, duas conhecidas do público, que eu criei, e outras duas novas. Vou reviver a Talia, do Zorra Total, e a Sirene, do Sai de Baixo, ambas interpretadas na época em que trabalhava na Globo. As novas irão se chamar Marinalva, uma manicure negra, e a Camélia, que é irmã da Ofélia. Minha filha estreará comigo no teatro e interpretará um papel que ela mesma criou, a Lorraine, filha da Camélia. Estou muito orgulhosa dela!”
Iza estreará ao lado da mãe no teatro. Ela fará Lorraine, uma adolescente mimada, personagem que criou sozinha. “Eu me inspiro muito na força que minha mãe teve para lutar contra a esclerose. Poder trabalhar com ela é
um sonho”, diz a menina
Controlada com dinheiro “Muita gente pergunta como eu me mantenho financeiramente e não tem segredo. Graças a Deus, ganhei muito dinheiro quando estava na ativa, fazendo A Diarista, e soube investir tudo. Minha renda se baseia nos aluguéis de dois apartamentos no Rio de Janeiro e das aplicações que fiz. Quase todo o dinheiro da minha rescisão com a Globo, cerca de 2 milhões de reais, eu usei para pagar o meu transplante. Hoje, gasto cerca de 15 mil por mês com a estadia na clínica e mais 3 mil com os remédios. Sou muito abençoada e agradeço pela sabedoria que eu tive nesses períodos mais críticos.”
Em choque com os colegas “A Iza e a Adriane são, sem sombra de dúvidas, as minhas bases. Se não fosse por elas, eu não estaria aqui. Os meus fãs também têm sido um apoio muito importante pra mim, nas redes sociais, eles escrevem mensagens de carinho, força e faço questão de responder todas. Tem gente que me acompanha desde a época em que eu fazia a Karina, no seriado infantil Caça Talentos (protagonizado pela Angélica, 43). A classe artística me abandonou, de certa forma, só alguns amigos, como o Marcelo Médici, 45, meu amigo de longa data, e Guilherme Winter, 37, me procuraram depois da doença. Fiquei em choque com essa mudança, era surreal ver o sumiço das pessoas.”
Linda e careca “Na verdade, eu queria ficar careca. Era uma curiosidade minha e aproveitei a oportunidade para descobrir. A preparação para o transplante exigiu algumas sessões de quimioterapia e, consequentemente, perdi um pouco de cabelo. Um dia, acordei com um tufo nas mãos e pedi para a Adriane raspar. Foi lindo, eu me diverti, senti cócegas e, ao me ver no espelho, me achei muito bonita. Agora que os fios estão crescendo, pretendo voltar ao corte chanel.”
Focada em si mesma “Não sinto falta de um companheiro. Passei por tanta coisa sozinha, com a minha filha, que consigo dar conta de tudo. Estou focada nos meus trabalhos, na cura, no meu bem-estar e correr atrás de alguém está fora de cogitação. Se aparecer um homem bacana, seria legal, mas, definitivamente, não estou procurando ninguém.”
Depois do transplante, Claudia passou por três exames para saber como havia sido o resultado. Pela Escala Expandida do Estado de Incapacidade de Kurtzke (EDSS), que mede a intensidade da esclerose, a atriz pulou de 9 – muita dor e pouquíssima mobilidade – para 5 (limitações rotineiras) e, com o tratamento intensivo que tem feito, ela está em busca da total recuperação, do número zero. “Hoje, a cura não é mais um sonho, e sim, realidade. Na foto do meu último exame, dá para ver o milagre. A faixa branca que tomava meu cérebro é a esclerose e, cada vez mais, ela está diminuindo. Recuperei massa cefálica, o que é quase impossível, e ainda tenho células-tronco agindo, ou seja, vou trabalhar para poder voltar a ser como eu era antes”, garante a atriz.

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