Janot ameaça cancelar acordo de delação com irmãos Batista, da JBS

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5 setembro 2017 07h15

Procurador afirmou ter áudios com conteúdo “gravíssimo”, que podem levar à quebra do acordo de delação da JBS (Foto: Arquivo)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou no início da noite desta segunda-feira (04) a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. De acordo com o site G1, Janot afirmou que, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração aos irmãos Joesley e Wesley Batista poderão ser cancelados. Em um pronunciamento na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), Janot informou que os investigadores obtiveram, na última quinta-feira (31), áudio com conteúdo que ele classificou de “gravíssimo”.
O áudio teria sido gravado acidentalmente entre os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud, e levantaria a suspeita de que o ex-procurador da República Marcello Miller – investigado pela Lava Jato – teria atuado na confecção das propostas do acordo que seria fechado entre os colaboradores e o Ministério Público, configurando uma ilegalidade.
“Determinei hoje (segunda) a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre práticas de crime no processo de negociação para assinatura do acordo de delação no caso JBS. Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público Federal na semana passada, precisamente, na quinta-feira, às 19h”, afirmou Janot, na entrevista concedida no auditório da PGR, em Brasília.
Segundo as regras PGR, se o acordo da delação for desfeito por descumprimento dos acertos, somente os colaboradores perdem os benefícios. As provas já entregues por eles continuam válidas e à disposição da justiça. Ainda de acordo com o procurador-geral, a análise da gravação revelou diálogo entre dois colaboradores “com referências indevidas à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal”.
Na gravação, informou Janot, há relato de conduta criminosa por parte do ex-procurador Marcelo Müller, que chegou a ser preso pela Lava Jato por conta dos depoimentos dos donos da J&F. “Ao longo de três anos, Marcelo foi auxiliar do procurador-geral, procurado por suas qualidades técnicas. Se descumpriu a lei no exercício das funções, deverá pagar por isso”, enfatizou Janot.

Fonte Blog do Diario

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