João Victor: denúncias de drogas, acidentes e mentiras

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29 novembro 2017 09h18

 

João Victor Ribeiro de Oliveira tinha ingerido bebida alcoólica e foi autuado em flagranteFoto: Reprodução/Facebook

Faculdade nega que João Victor tenha cursado Engenharia Civil; conhecidos narram casos de agressão e uso de drogas

Por: Portal FolhaPE

Preso desde a última segunda (27) no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, está “frio” e “calado” na detenção. Causador da tragédia ocorrida na noite do último domingo (26) – colisão de dois veículos no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, na Tamarineira, Zona Norte do Recife –, ele matou três pessoas: uma advogada de 39 anos e o filho dela, que faria 4 no próximo mês, e a babá, de 23 anos, que estava grávida; deixou feridos o pai da família, de 46 anos, e a filha mais velha, de 5. A Polícia corre para cumprir os prazos para entrega do inquérito e não deixar que Victor seja posto em liberdade.

Desde que ele foi apontado como o causador da tragédia, o Recife se mobilizou a investigar sua vida. João Victor estava alcoolizado quando provocou a batida – a alcoolemia aferida pelo bafômetro chegou a 1.3 –, o que acirrou a revolta das pessoas. As informações que chegam à Imprensa, de amigos e pessoas que o conheciam, é que ele, tão jovem, já tinha cometido outros crimes, inclusive há contra ele um processo arquivado, já confirmado pela Polícia, mas não se sabe ainda se se trata de outro crime de trânsito, ocorrido quando João Victor ainda era menor de idade, há cerca de 10 anos. Uma vizinha denunciou, nas redes sociais, que foi agredida pelo rapaz há três meses.

O motorista da tragédia da Tamarineira, como temos chamado o caso, é narrado como agressivo e consumidor contumaz de álcool e de outras drogas. Foi aluno do Colégio Santa Emília, em Olinda, cidade onde mora.

Em um áudio enviado à redação da Folha, uma mulher diz ser ex-professora do rapaz e que ele sempre foi agressivo e usuário de drogas, e que a família fazia de tudo para ajuda-lo. No áudio, ela diz que teve esperanças na melhoras depois de encontrá-lo “trabalhando no Procape (o Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco, ligado à UPE) como engenheiro”. A reportagem tentou confirmar e foi informada que João Victor nunca teve qualquer vínculo com a instituição, mas que a empresa do pai dele, Bruno de Oliveira Gomes Leal, venceu uma licitação para limpeza da fachada e executou o serviço. “Ele às vezes ia e ficava sentado olhando o trabalho ser feito”, informou o Procape.

Em seu perfil no Facebook, João Victor dizia ser estudante de Engenharia Civil da Faculdade Maurício de Nassau. À reportagem do Portal FolhaPE, o Grupo Ser, dono da instituição de ensino, negou a informação, disse que ele não cursou Engenharia em nenhuma das faculdades do grupo em Pernambuco ou em outros estados. Consta apenas que ele cursou Administração em duas das faculdades integrantes do conglomerado, mas que reprovou várias disciplinas e desistiu do curso.

No dia da colisão, Victor havia bebido e, segundo apurações, seguia para outra um bar. Em sua conta no Instagram, postou nas ‘stories’ (imagens que duram 24 horas) uma foto que mostrava uma caixa amplificadora de som e a chave de um carro em uma mesa de bar (veja abaixo, na galeria). Após a batida, ainda dentro do carro, ele foi fotografado com uma pulseira que seria de uma festa open bar, aquelas cujo ingresso inclui consumo livre de bebidas. Como ele teve ferimentos leves, foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá. Logo depois, foi preso. Na segunda (27), o advogado que iria defender João Victor, Gerson Barros de Miranda, abandonou o caso. Agora, ele está sendo assistido por um defensor público.

Na tarde desta quarta (28), devido à repercussão nacional do caso e à comoção das pessoas, a Polícia Civil de Pernambuco decidiu seguir com as investigações em sigilo, até a conclusão do inquérito, que será remetido ao Ministério Público de Pernambuco na próxima quarta (6), que deverá oferecer, ou não, denúncia e solicitar à Justiça que ele seja julgado. Mas, agora, no tribunal popular e nas redes sociais, o tom é de condenação.

Entenda o caso
A combinação de bebida, imprudência e alta velocidade é apontada pela polícia como a causa do acidente que deixou uma criança e duas mulheres mortas, entre elas uma grávida, na noite do último domingo (26), na Zona Norte do Recife. A colisão ocorreu às 19h32 no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira.

O Ford Fusion, placa NMN 3336, que era conduzido por João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, trafegava em alta velocidade e ultrapassou um sinal vermelho, atingindo um Toyota RAV4, placa DEZ 9493, onde estava uma família. A mãe, Maria Emília Guimarães, de 39; e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23, que estava grávida, morreram na hora. O filho do casal, Miguel Neto, que faria 4 anos no próximo mês, faleceu no hospital, durante cirurgia para conter uma hemorragia abdominal. Condutor do SUV da família, o pai, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 45 anos, e a filha Marcela, de 5, continuam internados no Hospital Santa Joana.

Motorista de carro envolvido em acidente na Zona NorteFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A declaração é do empresário Bruno Leal, de 51 anos, pai de  João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, condutor do Fusion que furou um sinal em alta velocidade e se chocou contra o Toyota RAV4 onde estava a família Motta Silveira e a babá dos filhos deles, Roseane de Brito. Pela primeira vez, Bruno falou sobre o acidente em entrevista à Folha de Pernambuco, na tarde de terça-feira (28). Vinha preferindo o silêncio diante da brutalidade dos acontecimentos, do pesar pelas vidas perdidas.

Queria ficar longe do julgamento da sociedade. O luto e o medo se misturam no relato do homem que afirma ter lutado para tirar o filho da dependência química e que, hoje, teme pela vida do jovem de 25 anos. Sem dormir desde o domingo (27), Bruno Leal reforçou que a batida destruiu a vida de todos, inclusive a da família dele, e que uma preocupação diária tem sido o estado de saúde dos sobreviventes: o advogado Miguel da Motta, 46, e a filha Marcela, 5. O pai e a menina seguem internados em estado grave. 

Como o senhor descreveria o Victor?
Ele é menino muito bom, muito prestativo, atencioso. Um menino muito humano. Tem esse problema com drogas. Já foi internado duas vezes. Uma há uns três ou quatro anos. Saiu limpo e passou um bom tempo limpo. Em 2016, tivemos que internar novamente porque ele teve uma recaída. Victor, na verdade, é uma pessoa doente. Ele vinha se tratando. Ia com frequência ao psicólogo. Tinha o acompanhamento da gente. Ajudava todos os dias no meu trabalho. Mas, ele teve outra recaída há uns 30 dias. Bebeu. E ele não pode beber.

O que aconteceu no domingo passado?
Outra recaída. Eu estava em casa dormindo. Ele pegou o carro e saiu. Estava em surto. Não é criminoso. Ele não é bandido, nem nada disso que estão pintando dele.

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O carro que ele dirigia pertence a quem? E de quem são as mais de dez multas do veículo?
O carro é meu. As multas são minhas. Foram feitas por mim. Quem nunca ultrapassou um sinal? Quem nunca levou uma multa atendendo um celular? Tanto que, se analisar a carteira (de habilitação) dele, vai ver que ele não tem problema de multa. Não tinha carro. Quando me ajudava no trabalho usava um da firma só para resolver as coisas dele.

Qual o sentimento do senhor sobre tudo que está acontecendo?
Estamos muito abalados. Muito sofridos pela família daquelas pessoas, pelas perdas de vidas. Estamos muito preocupados também com nosso filho que está sendo crucificado. Até por denúncias absurdas. E sendo ameaçado por várias pessoas dentro do Cotel. A nossa vida está um inferno. Somos seres humanos, somos cristãos, somos católicos. Nunca tivemos nada com Justiça, com nada disso.

O senhor já visitou Victor no Cotel?
Não consegui visitá-lo ainda. Mas, acredito que amanhã (hoje) ou depois de amanhã (amanhã) eu consiga. Estamos tentando entrar com medidas protetivas porque quando o juiz permitiu a prisão dele não pediu para ter medidas protetivas.

Ele está junto com outros presos?
Não, graças a Deus. Meu advogado foi lá e falou com o diretor sobre ele. Já temos um novo advogado porque o primeiro que contratei, na hora da audiência de custódia, abriu mão. Acho que ele não aguentou a pressão popular, a pressão da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e do Ministério Público. Já contratei outro advogado e estou contratando mais um. E a primeira coisa que estamos fazendo é tentar manter a integridade física dele.

Entenda o caso
A combinação de bebida, imprudência e alta velocidade é apontada pela polícia como a causa do acidente que deixou uma criança e duas mulheres mortas, entre elas uma grávida, na noite do último domingo (26), na Zona Norte do Recife. A colisão ocorreu às 19h32 no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira.

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O Ford Fusion, placa NMN 3336, que era conduzido por João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, trafegava em alta velocidade e ultrapassou um sinal vermelho, atingindo um Toyota RAV4, placa DEZ 9493, onde estava uma família. A mãe, Maria Emília Guimarães, de 39; e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23, que estava grávida, morreram na hora. O filho do casal, Miguel Neto, que faria 4 anos no próximo mês, faleceu no hospital, durante cirurgia para conter uma hemorragia abdominal. Condutor do SUV da família, o pai, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 45 anos, e a filha Marcela, de 5, continuam internados no Hospital Santa Joana.

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