Lula diz sentir “pena” de Palocci e pede imparcialidade a Sérgio Moro

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14 setembro 2017 07h30

O ex-presidente Lula prestou na quarta-feira (13) um depoimento de duas horas e dez minutos ao juiz Sérgio Moro, na sede da Justiça Federal, em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato. O petista afirmou que Palocci mentiu nas declarações concedidas na semana passada e disse sentir “pena” do ex-companheiro de partido, que “tem família” e quer se ver livre da situação em que se encontra.

“Eu vi Palocci mentir aqui essa semana. (…) Muita gente achou que eu ia chegar aqui com muita raiva do Palocci, eu achei que o Palocci tá preso há mais de um ano, o Palocci tem o direito de querer ser livre, tem o direito de ficar com um pouco do dinheiro que ele ganhou fazendo palestra, ele tem família. O que não pode é que, se você não quer assumir a sua responsabilidade pelos fatos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros”, disse Lula.

“O objetivo é encontrar alguém para me criminalizar. Esse é o objetivo. (…) Eu fiquei muito preocupado com a delação do Palocci. Porque ele podia ter falado ‘eu fiz isso errado’. Ele, espertamente dizia: ‘não é que eu sou santo’, e pau no Lula. Que é um jeito de você conquistar veracidade na sua fala. Eu fiquei com pena disso”, completou o ex-presidente, afirmando que irá enfrentar e contestar todas as ações do Ministério Público Federal.

Lula afirmou ainda que Palocci é simulador, frio e calculista, e que nada que o ex-ministro disse é verdade. “Conheço o Palocci bem. O Palocci, se não fosse ser humano, seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, calculista, é frio”, contou.

Na semana passada, o ex-ministro de Lula, Antonio Palocci, afirmou que o ex-presidente fez um “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht, que envolvia o pagamento de R$ 300 milhões em vantagens ilegais para manter a empresa como protagonista no governo federal. Lula é réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos contratos entre a Odebrecht e a Petrobras.

 

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