Polícia foca em grupos de extermínio e milícias para diminuir homicídios em Pernambuco

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16 março 2017 16h25

Chefe da Polícia Civil de Pernambuco fala sobre índice de homicídios em Pernambuco

Quase mil pessoas foram assassinadas nos dois primeiros meses. Segundo chefe da Polícia Civil, foram identificados dois grupos de extermínio com atuação no Grande Recife, um deles liderado por policial militar.

Por G1 PE

O combate a homicídios em Pernambuco vai ter como foco prender integrantes de grupos de extermínio e milícias, afirmou o chefe da Polícia Civil, delegado Joselito Amaral, em entrevista nesta quinta-feira (16) ao Bom Dia PE. Amaral apontou que dois grupos de extermínio rivais já foram identificados, sendo um comandado por um policial militar e outro por um ex-policial. (Veja vídeo acima)

Nos dois primeiros meses de 2017, Pernambuco teve 977 pessoas assassinadas, sendo 497 desses crimes foram registrados em fevereiro. Os dados foram divulgados na quarta-feira (15) pela Secretaria de Defesa Social.

“Hoje, o foco é diferenciado. É o combate sistemático a ação de grupos de extermínio, que são pessoas que matam mediante pagamento. Temos aí, não raras vezes, a participação de policiais, civis ou militares e até mesmo de outros estados”, apontou o delegado.

“Se o autor é ligado a grupo de extermínio, organização criminosa ou associação criminosa, essa investigação será prioridade para a gente”

Um dos grupos já identificados pela Polícia Civil tem atuação na Zona Norte do Recife, comandado por um cabo da Polícia Militar que já teve o pedido de prisão preventiva decretado, segundo Amaral.

“Tivemos cinco mandados de prisão decretados. São dois grupos que já foram identificados e cabe agora à polícia avançar nas investigações. A PM é uma instituição idônea, o que está sendo apurado é o desvio desses policiais. O combate será sistemático”, afirmou.

O foco do Pacto pela Vida, política de segurança lançada há dez anos pelo então governador Eduardo Campos, era a vítima da violência. Com a mudança, o foco passa a ser o autor dos crimes.

“Se o autor é ligado a grupo de extermínio, organização criminosa ou associação criminosa, essa investigação será prioridade para a gente”, detalhou.

Crimes de proximidade

Entre as mudanças apontadas pelo chefe da Polícia Civil está a questão das investigações. No estado, as Delegacias de Homicídio eram responsáveis por esses tipos de crime, enquanto as delegacias distritais ficavam com as outras ocorrências. A partir de agora, vai caber às especializadas de homicídio investigar os crimes cometidos por associações criminosas.

“Os crimes de proximidade, aqueles conflitos na comunidade, afetivos ou familiares, serão investigados pelos distritos. Aí entra a DPMul, o Departamento da Mulher, que antes só trabalhava com medidas protetivas e agora trabalhará também com apuração do feminicídio”, explicou Amaral.

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