Presidente da Câmara de São Lourenço criou empresas fantasmas, diz Polícia Civil

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6 outubro 2017 20h25

Denis Alves (Podemos), e seu assessor parlamentar Antônio Castro Pereira, conhecido como “Tonho Cego”, foram indiciados por falsidade ideológica e uso de documentos falsos

Por: Blog da Folha

Polícia Civil apresenta detalhes sobre o inquérito contra o presidente da Câmara de Vereadores de São Lourenço da Mata, Denis Alves, e o assessor do parlamentar Antônio Castro PereiraFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O presidente da Câmara de Vereadores de São Lourenço da Mata, Denis Alves (Podemos), e seu assessor parlamentar Antônio Castro Pereira, conhecido como “Tonho Cego”, foram indiciados por falsidade ideológica e uso de documentos falsos. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, que apresentou os detalhes sobre o inquérito contra os dois, nesta sexta-feira (6), em coletiva de imprensa, o vereador fez uso de CPF falso para abertura de uma empresa, a Medical Vision. Além dessa, os dois tinham outra empresa fantasma.

Juntos os dois tinham duas empresas fantasmas para a venda de material médico. De acordo com a Polícia Civil, o vereador criou sócios fantasmas, com nomes fictícios. De acordo com o delegado Ricardo Silveira, titular da Delegacia de São Lourenço da Mata, a investigação teve início no dia 2 de agosto deste ano.

“A presente investigação iniciou-se no dia 2 de agosto com uma denúncia recebida pelos vereadores Antônio Manga e Valdemar no sentido de que o presidente da Câmara de Vereadores de São Lourenço da Mata, o senhor Denis Alves de Souza, estaria usando CPFs falsos para constituição e habilitação de empresas. E foram juntados alguns documentos da Jucepe que forneciam indícios que tanto ele como o seu assessor Antônio de Castro Pereira estariam constituindo sociedades, fazendo uso nome documentos falsos”, explicou.

Segundo o delegado, a alegação que deu início investigação dizia que eles fariam contratos com empresas particulares e possivelmente até com o poder público. E que a razão social, ao analisar a finalidade da empresa, indica que eles forneciam materiais hospitalares e odontológicos para particulares e possivelmente para o poder público também.

Questionado sobre os indícios de adulteração de documentos, Ricardo Silveira afirmou que na primeira documentação juntada pelos vereadores, chamava a atenção o fato de constar tanto da primeira empresa, a Medical Vision, um CPF diverso do vereador Denis Alves quanto do próprio assessor Antônio de Castro Pereira. “Eram CPFs que divergiam dos CPFs oficiais”, disse.

Ainda segundo o delegado, apenas o presidente da Câmara Municipal foi ouvido, mas não ofereceu explicações “convincentes”. “Ofereceu, na verdade, explicações no sentido de que havia assinado todos os documentos, mas que não sabia da existência daquele documento. Em algum momento, fala que teria dado cópia do documento supostamente falsificado para o seu Antônio, que ficou responsável pelo protocolo dos documentos, desse entrada em todo procedimento de habilitação e trâmite administrativo na Jucepe. Mas o seu Antônio não foi encontrado. Nós tentamos intimá-lo, mas a informação que nós temos por parentes dele, na residência dele, é que ele está viajando. Não se sabe onde ele está. E na cidade de São Lourenço da Mata há informações de que ele fugiu. Saiu do município e aí a gente não vai ter nesse momento como ouvi-lo”, explicou.

O presidente da Câmara Municipal prestou depoimento e foi liberado. O vereador foi indiciado e vai responder em liberdade. “Diferente do seu assessor, ao qual formularemos uma representação ao poder Judiciário pela decretação de sua prisão”, completou Ricardo Silveira.

Antônio Castro Pereira foi assessor do presidente da Câmara desde o primeiro mandato, mas Denis Alves afirma que o demitiu há um mês.

Com informações de Joffre Melo, da Rádio Folha FM 96,7.

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