Renato Aragão: “Não podem fazer um Didi falso. O Didi sou eu!”

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23 janeiro 2017 19h15

O ídolo, que está de volta ao cinema, garante: quer voltar a fazer Os Trapalhões na TV e nenhum outro humorista fará seu papel

Raquel Borges

Quem quiser matar a saudade de um dos trapalhões mais queridos da TV, Renato Aragão, é só procurar um cinema próximo. A partir do dia 19, o astro e o companheiro Dedé Santana (veja entrevista a seguir) estará no filme Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, de Mauro Lima.
Para Renato, o longa resgata a memória afetiva daqueles que acompanharam Os Trapalhões na TV e na telona: “Ele vai atingir duas ou três gerações. O pai, o filho e o neto. Inclusive, a história é diferente do primeiro filme (1981). Tem ainda uma música inédita do Chico Buarque”.
TITITI conversou com o artista, prestes a completar 82 anos (no dia 13/1). Ele está animado com a possibilidade de retornar à TV no segundo semestre, com Os Trapalhões.
TITITI – O que o motivou a voltar às telonas?
Renato Aragão – Foi uma peça que fiz no Rio, Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical (2014). Como ela fez muito sucesso, pensei: de repente podemos ir para o cinema. O filme não é a história da peça ou uma continuação do primeiro longa, mas sim a do grupo indo a Hollywood.
Tanto que na primeira versão o nome do circo era Bartholo…
Você se lembra disso (risos)? Nossa! Como vou me lembrar dessas coisas? São 50 filmes!
E vai ter o 51? Vai. Será outro musical e se chamará Didi e o Fantasma do Teatro, com emoção, aventura e humor. Como você sentiu o público na pré-estreia (sábado, 7/1)?
Foi um sucesso muito grande. Fiquei realizado com o cinema lotado e aquelas pessoas rindo, chorando, emocionadas… Eu disse: “Meu Deus do céu, o que eu fiz de errado nessa vida?!”
Mas você só fez pessos felizes…
Pois é, verdade. É que senti muito o carinho, e tinha lá várias gerações: crianças, adolescentes e idosos e eles se divertiram com o filme. Na verdade, Os Trapalhões atingiram duas gerações, e a terceira, a atual, é que tem que tomar cuidado, pois é muita tecnológica.
Essa terceira geração, então, é difícil de pegar?
Eu não sei dizer. Mas sei que o que é bom não se acaba. Portanto, vou dar o máximo de mim nessa nova fase com musicais e pescar a nova geração.
O filme estreia no mês que você completa 82 anos. É presente de aniversário?
(Risos) Não sei, mas é um presente para o público!
Quando olha pra trás e vê a bela carreira, o que sente?
Uma recompensa muito grande do meu sacrifício, da minha vontade de fazer um humor limpo, familiar, que não é intelectual ou político. Quero saber é de um humor gostoso, circense, em que todos riam.
Dá orgulho ver a filha (Lívian Aragão) atuando com você, e em outros trabalhos?
Agora é com ela, né?! Vai fazer tudo sozinha, porque antes queria que ela estivesse ao meu lado. Criou asas próprias, fez Malhação (2015), Flor do Caribe (2013) e vai atuar em outras novelas, se Deus quiser.
Como vê a evolução dela?
A verdade é esta: todo pai é coruja. Tem uns enrustidos por aí, mas eu sou sincero, emocional. Quando você vê um filho ou uma filha brilhando, vai querer sempre o sucesso deles. É o normal da vida.
E o retorno para a TV? Quando vamos ver novas trapalhadas do Didi?
Logo. Estou começando a pensar nuns seriados, numas minisséries e microsséries. Mas só depois desse período de filmagem (do próximo longa) é que vou ver como vai ser.
Falou-se em 2016 do retorno de Os Trapalhões à TV. Vai acontecer mesmo?
Teve uma história, sim, que circulou por aí, comecei a ficar entusiasmado com relação a roteiro e tudo mais. Mas aí deixei para a Globo tocar. É um projeto lá para julho.
E você volta junto? Ou são novos atores, como se cogitou na imprensa?
Eu gostaria de voltar junto.
Não tem outro Didi, né?
Não podem fazer um Didi falso. O Didi sou eu! Pode ser outro nome (de personagem), mas o meu nome não pode.
A Globo não poderia usar o nome Didi?
Não, porque está tudo registrado, certinho. E sem dizer que vai confundir o público.

Dedé Santana: “Agradeço a Deus por ser esse cara que está sempre ao lado do renato!”

O não menos querido Dedé Santana, que também está no filme, revela a admiração pelo colega, a emoção com o longa e o orgulho da filha, a atriz Yasmin Sant’anna.
Expectativa
“Vi a pré-estreia (de Os Santimbancos), mas na plateia havia amigos, artistas, imprensa. Quero ver de novo, mas com o público, para saber o que achou. Porém, confesso, me emocionei, chorei muito. Foi um trabalho lindo do João Daniel (diretor). Desta vez, ele conseguiu imortalizar Os Trapalhões, já que no final tem uma surpresa que os fãs vão gostar e eu não posso contar (uma grande homenagem aos companheiros, os saudosos Mussum e Zacarias).”
Mundo do circo
“Tenho orgulho de fazer parte da oitava geração circense da minha família. Era o único, dos Trapalhões, que veio do circo. E fui nomeado o Embaixador do Circo no Brasil. Levei esse humor circense para a TV junto com o Renato.”
Gratidão
“Agradeço muito a Deus por ser esse cara que está sempre do lado do Renato. Porque depois de Oscarito, de quem era fã, veio o Renato. Conheço pessoas que dariam tudo para chegar perto dele, e você imagina: eu estou ali, cara! Sabe o que é isso? Ele, às vezes, me diz que sou sua ferramenta de trabalho. E olha que quando filmei o atual longa, várias vezes me peguei olhando para Renato, vendo-o trabalhar. Admirando… Ele tem uma comunicação com a câmera que poucos têm”
Volta à TV
“Olha, vocês podem até não acreditar, mas estou por fora desse assunto da volta de Os Trapalhões à telinha. Ninguém me procurou, por enquanto. Sei o que saiu na imprensa no ano passado. Mas qualquer coisa ao lado do Renato eu faria, nem que fosse só para abrir a porta
do carro pra ele sair (gargalhadas).”
Promessa
“Eu não queria que a minha filha (Yasmin Sant’anna) seguisse essa carreira. Mas, graças a Deus, ela não me escutou (risos). Essa profissão depende muito da sorte também. Como penei bastante, caí, levantei, caí, levantei, não tem uma estabilidade. Por essa razão, queria que ela fizesse outra coisa. A Yasmin dizia que ia estudar para ser advogada e me enganou. Quando vi, ela estava numa peça. Fui assistir a ela, era a atriz principal, e depois disso falei que não tinha que fazer outra coisa, não. Tem que fazer isso mesmo. Ela fez ainda a Zefa no filme Shaolin do Sertão, no papel da Fafy Siqueira na segunda fase.”

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