Três anos depois, linchamento de Fabiane após boato na web pode ajudar a endurecer lei

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1 abril 2017 11h28

Do G1, São Paulo

Fabiane Maria de Jesus foi morta brutalmente por vizinhos após ser acusada de magia negra em Guarujá (SP); notícia falsa estava em rede social. Apenas cinco pessoas foram condenadas pelo crime.

dona de casa Fabiane Maria de Jesus, morta aos 33 anos em 5 de maio de 2014, pode dar nome a uma lei que tenta punir quem incita crimes pela internet. Espancada até a morte por moradores de Guarujá, onde morava, Fabiane foi acusada de praticar magia negra com crianças após uma notícia falsa espalhada pelas redes sociais.

O boato gerado em uma página no Facebook e um retrato falado da dona de casa rapidamente se espalharam pelas redes, juntamente com histórias falsas e relatos mentirosos de quem afirmava ter testemunhado os sequestros. O projeto que tramita no Congresso prevê aumentar em 1/3 a punição quando a incitação a crimes ocorrer pela internet ou por meio de comunicação de massa (saiba mais ao fim do texto).

Quando foi morta, testemunhas chegaram a dizer que ela carregava um livro de magia negra nas mãos, e não a Bíblia que costumava levar quando ia à igreja. Ela foi amarrada e agredida por dezenas de pessoas, mas somente cinco foram identificadas e condenadas pelo assassinato.

Quase três anos após sua morte, uma das fotos de seu linchamento tem sido compartilhada juntamente à de uma criança sob a manchete: “Mulher é linchada até a morte após violentar neném com soda cáustica”.

Post sobre mulher linchada até a morte é compartilhado com foto de vítima de linchamento em Guarujá, litoral de SP (Foto: Reprodução/Facebook)

A notícia é real. O linchamento ocorreu em Anadia, agreste de Alagoas, em março deste ano. Mas a foto que a estampa é falsa. Na verdade, a vítima do espancamento foi Ana Luiza Caetano da Silva, de 40 anos, atacada momentos depois de jogar ácido no bebê e sua mãe.

O G1 entrou em contato com a Delegacia de Anadia, que confirmou o caso. O linchamento ocorreu em março deste ano. Ana Luiza foi morta pela mãe do bebê, a madrasta dela e duas amigas após ter jogado o ácido.

Segundo o inquérito, havia uma rusga entre as vizinhas, e a vítima tinha problemas mentais. A mãe do bebê colocou a criança em sua frente para se proteger do líquido. Em seguida, as quatro assassinaram a vítima. O bebê ainda está internado, sob proteção do Conselho Tutelar. As quatro estão no presídio Santa Luzia, em Maceió, e vão responder por homicídio qualificado.

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