Vigia de creche em Janaúba falou que ‘essa semana iria morrer’, diz delegado; perícia indica que ele trancou portas antes de atear fogo

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5 outubro 2017 19h46

Por Adriana Lisboa e Juliana Peixoto, G1 Grande Minas

Delegado responsável pelo caso diz que Damião Soares dos Santos sofria mania de perseguição; polícia encontrou cartas e galões de combustível na casa do vigia

O vigia noturno que ateou fogo em uma creche em Janaúbadisse a familiares que “essa semana iria morrer”, afirmou nesta quinta-feira (5) o delegado Bruno Fernandes Barbosa. Ainda de acordo com o delegado, uma perícia constatou que Damião chegou a trancar as portas antes de atear fogo. Ele jogou álcool nas crianças e nele mesmo e, em seguida, colocou fogo. Quatro crianças de 4 anos morreram no local.

O delegado disse ao G1, após entrevistar familiares do vigia, que desde 2014 ele já apresentava ‘sinais de loucura’. “Ele alegava que a mãe dele estava envenenando a água, e que isso estava trazendo problemas”, disse Bruno.

Ainda segundo informações da família à polícia, Damião estava sem trabalhar há 08 dias, e estava desaparecido e, por isso, a diretora da creche pediu que ele levasse o atestado médico ao trabalho. “Hoje de manhã a diretora pediu que ele levasse o atestado, e ele disse que não precisava se preocupar com ele, porque ele era um sujeito sozinho, porém, ele chegou na creche, de mochila, nem tirou o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha”, conta o delegado.

A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 a 60 pessoas, segundo Bruno. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem. Uma professora tentou impedir a ação da Damião, e chegou a lutar com ele; ela está em estado grave no hospital.

“Tenho plena convicção que o crime foi premetidado, ele escolheu a data de dia 05 de outubro, porque o pai dele morreu no dia 05 de outrubro, há três anos”, disse o delegado.

Na casa dele, a polícia encontrou cartas escritas por Damião, onde ele dizia ter predilação e afeto por crianças. “Apesar de não morar com família, e ter escolhido viver isoladamente, Damião se reaproximou da mãe nos últimos dias, dormiu com ela, e disse à uma sobrinha que iria dar um presente para a família, que iria morrer”, conta Barbosa.

Após atear fogo na creche, Damião chegou a ser internado, mas morreu cerca de cinco horas depois.

Polícia apreendeu várias cartas deixadas pelo autor (Foto: Juliana Peixoto/ G1)

Polícia apreendeu várias cartas deixadas pelo autor (Foto: Juliana Peixoto/ G1)

 

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